Repositorio de Santo

FESTA DE iemanjá

Imagem 1. Audiodescrição: Fotografia em preto e branco, capturada em plano médio e em ambiente noturno, mostrando dois homens carregando uma peça ritualística em formato de barco estilizado, decorada com flores e enfeites. A embarcação parece feita de material leve e tem formato curvo, com detalhes circulares ao longo da borda, que se destacam pela ornamentação em alto contraste. Há flores dentro do barco. Os homens caminham lado a lado. O homem à direita, em primeiro plano, é branco, tem cabelo curto e barba aparada, usa camiseta clara e colares rituais. Ele segura a parte dianteira da embarcação com ambas as mãos. O homem à esquerda, ligeiramente atrás, é negro, possui cabelo raspado, usa camisa de manga comprida arregaçada e calça branca. Também carrega colares religiosos e segura a extremidade traseira do barco. Ao fundo, à esquerda, percebe-se um ponto de luz intensa e várias luzes pequenas, sugerindo a presença de uma cidade ou vila litorânea. O chão é de areia, e o céu completamente escuro.

História da Festa de Iemanjá em Laguna

Na segunda metade do século 19 Laguna foi um ponto de destino de pessoas negras escravizadas oriundas do continente africano e em 1860, apresentava uma população de cerca de 33.452 mil habitantes, onde estima-se que 10% eram de escravizados e 18% de pretas e pardas alforriadas, pessoas que apesar da infâmia escravagista, trouxeram consigo sua cultura e divindades. 

Ao pisar na América do Sul, o culto aos orixás foi proibido e como forma de sobrevivência de suas crenças, essas pessoas associaram em segredo suas divindades aos santos católicos (sincretismo religioso). Iemanjá foi sincretizada, dentre outras figuras, com a de Nossa Senhora dos Navegantes.

A primeira festa pública para Iemanjá no território lagunense aconteceu em 1968 e até a primeira década dos anos 2000 as festas em homenagem a Iemanjá ocorreram no dia 31 de dezembro. Há pouco mais de uma década as festas passaram a ocorrer na data de 02 de fevereiro e em 2017, tramitou na câmara de vereadores o projeto de lei n. 0012/2017, que instituiu “o dia 02 de Fevereiro como o dia de Iemanjá e [declarou] como Patrimônio Imaterial do Município de Laguna os cultos religiosos de matriz africana”. 

Em 02 de fevereiro é possivel acompanhar as celebrações o dia de Iemanjá com diversas giras dos terreiros na beira das praias, especialmente na Praia do Mar Grosso, onde os devotos da entidade reúnem-se para pedir suas bênçãos e realizar oferendas.

Imagem 2. Audiodescrição: Fotografia em preto e branco, capturada em plano geral, mostrando uma cerimônia religiosa noturna realizada na areia da praia, sob tendas brancas iluminadas artificialmente. No centro da imagem, destaca-se uma estrutura ritualística sobre o chão de areia, composta por um círculo de elementos simbólicos, enfeites e objetos votivos - como estátuas, flores, folhagens de plantas, velas - demarcados com iluminação baixa e cordinhas decoradas. Um tripé com flores e uma pequena bandeira ocupa o centro da instalação. Ao redor da estrutura, uma multidão de pessoas observa. A maioria dos participantes veste roupas brancas ou claras — muitos em trajes longos ou com rendas —, tradicionais em celebrações religiosas afro-brasileiras. Algumas pessoas seguram flores ou objetos rituais nas mãos, outras estão com as mãos postas ou em gestos de reverência. À direita da imagem, uma tenda iluminada abriga mais pessoas, algumas sentadas, outras em pé, completando o cenário cerimonial. Ao fundo, vê-se a cidade iluminada e a linha da orla marítima com postes e prédios. O céu está escuro e limpo.

FESTA DE ORIXÁ

Preparativos

Imagem 3. Audiodescrição: Imagem em preto e branco. A cena acontece sobre a areia da praia, com um grupo de pessoas reunidas ao redor de um altar decorado para Iemanjá, orixá das águas no candomblé e na umbanda. Em destaque, no canto direito da imagem, um menino de joelhos está voltado para o altar, segurando uma flor branca estendida em direção à oferenda. Ele veste uma camiseta clara com desenhos e bermuda branca. O altar é ricamente decorado com flores brancas, papel rendado, tecidos e uma pequena embarcação com uma vela branca hasteada. Há também uma estátua de Iemanjá e um banner ao fundo com a palavra “IEMANJÁ” escrita em letras grandes, além de imagens da divindade. Sobre o altar e no chão ao redor, há garrafas de bebidas e folhas de palmeira dispostas como uma base cerimonial. Ao fundo, outras pessoas observam e participam da cerimônia, vestidas em trajes brancos e colares de contas, típicos de religiões de matriz africana.

Os preparativos começam algumas semanas antes das festividades. As casas de culto se organizam com dedicação, preparando barcos, flores e oferendas. As lideranças mobilizam os filhos e filhas de santo, orientando-os sobre o calendário, atividades necessárias, os rituais e obrigações específicas. No dia 02 de fevereiro os preparativos ocorrem ao longo do dia inteiro

Áudio captado no dia 02 de fevereiro de 2024, durante os preparativos para a Festa de Iemanjá, no Terreiro da Mãe Zilá, bairro Centro, Laguna (SC).

Cerimônias na beira da praia / Giras

Imagem 4. Audiodescrição: Fotografia em preto e branco, capturada em plano aberto, mostrando uma faixa do oceano com ondas médias rompendo suavemente em direção à câmera. A superfície da água está salpicada por pequenas flores brancas flutuando de maneira dispersa, sugerindo um momento posterior a um ritual de oferenda no mar. As ondas, com cristas espumosas e texturas bem definidas, dominam a parte central e direita da imagem, criando um contraste visual com a serenidade das flores. Ao fundo, a linha do horizonte revela uma faixa de terra com relevo suave. A imagem transmite uma atmosfera contemplativa, de silêncio e espiritualidade, evocando sentimentos de respeito, conexão com o sagrado e celebração da natureza.

Na beira da praia, algumas cerimônias são realizadas ainda durante o dia. Outras começam ao entardecer e a maior parte delas ocorrem quando anoitece. O som dos atabaques, as palmas, os cânticos e danças, criam um ambiente sagrado e acolhedor. 

As giras são momentos centrais da celebração. O som conduz os participantes à conexão espiritual. Durante as giras os médiuns entram em transe e as entidades dançam, abençoam, aconselham e orientam os presentes, trazendo mensagens de paz, cura e proteção. A areia torna-se um espaço de devoção e fé, onde os fiéis acendem velas, rezam e formam rodas em torno dos guias espirituais.

Áudio captado em 02 de fevereiro de 2024, durante as festividades, na Praia do Mar Grosso, Laguna (SC)

Oferendas / Presentes

Imagem 5. Audiodescrição: Audiodescrição da Imagem: Fotografia em preto e branco, capturada em plano aberto durante a noite, com foco em uma multidão reunida ao ar livre. No centro da composição, erguida sobre uma base ornamentada com flores e folhagens, está uma grande estátua representando Iemanjá. A figura feminina está voltada para a direita da imagem, com os longos cabelos escuros caindo pelas costas e um vestido esvoaçante que acentua seu aspecto sereno e protetor. À frente da estátua, várias pessoas se aglomeram, algumas com as mãos erguidas, outras segurando celulares para registrar o momento. Muitas usam roupas claras e trajes tradicionais, compondo um ambiente devocional e festivo. No céu escuro ao fundo, fogos de artifício riscam a noite, com rastros de luz e explosões brilhantes no canto superior direito da imagem, reforçando o caráter celebrativo da ocasião. A atmosfera geral é de reverência, emoção coletiva e festa. A estátua de Iemanjá, imponente e iluminada, domina a cena como símbolo central de fé e proteção.

O ofertório é o momento mais simbólico da festa. Em barcos decorados, as oferendas, flores e alimentos são levados até o mar e deixados na arrebentação das ondas. Cada item representa carinho, gratidão e pedidos à orixá das águas. As oferendas não são apenas objetos materiais, mas manifestações da fé e da relação íntima entre os devotos e Iemanjá. Gesto coletivo de entrega e devoção, cada oferenda carrega a energia e o pedido de quem a entrega, sendo colocada ao mar como forma de estabelecer um elo espiritual entre os devotos e a divindade.

Áudio captado em 02 de fevereiro de 2024, durante as festividades, na Praia do Mar Grosso, Laguna (SC)

MAR DE ROSAS BRANCAS

Imagem 6. Audiodescrição: Fotografia em preto e branco, capturada em plano fechado e de cima para baixo, mostrando uma única rosa branca sobre a areia escura de uma praia. A flor está posicionada na diagonal, com a haste voltada para baixo à esquerda e a corola voltada para cima à direita. Ao redor da rosa, a areia úmida apresenta marcas circulares suaves, como se a flor tivesse sido depositada recentemente pela maré ou pela mão de alguém. A textura da areia é densa e homogênea, ressaltando ainda mais o contraste entre o fundo escuro e a delicadeza clara da rosa. A imagem transmite uma sensação de melancolia, silêncio e reverência, evocando simbolismos de homenagem.

Entrevista com Pai Nei

Áudio captado no dia 16 de fevereiro de 2024, no bairro Progresso, Laguna (SC).

Imagem 7. Audiodescrição: Imagem em preto e branco. Fotografia capturada em plano médio e em perspectiva lateral. Em primeiro plano, ao centro da imagem, está um homem negro sentado, visto de costas e ligeiramente de perfil, tocando um atabaque — instrumento de percussão típico das religiões de matriz africana. Ele veste uma regata branca e calça clara, e tem colares religiosos pendendo do pescoço. Seus braços estão erguidos, em movimento, no momento em que as mãos tocam a pele do tambor, transmitindo dinamismo à cena. Ao redor, outros participantes da cerimônia estão parcialmente visíveis. À esquerda, um homem em pé toca outro instrumento de percussão; à direita, uma mulher com saia longa e rodada, bordada e clara, caminha de costas. Ao fundo, outras pessoas completam a composição, algumas em trajes brancos, outras com elementos rituais. O chão é de areia da praia e o evento ocorre à noite. A imagem expressa movimento, ritmo e espiritualidade, evocando uma cerimônia coletiva onde música e devoção se entrelaçam num ambiente de celebração ancestral.

Entrevista com Pai Adilson

Áudio captado no dia 13 de fevereiro de 2024, bairro Caputera, Laguna (SC).